De repente, olhando o blog de Douglas, me deu vontade de escrever novamente. Decidi, então, recuperar uns textos de um passado não tão distante. O texto de hoje, por exemplo, escrevi em 2004, ou seja, há apenas 6 anos. Mas como assim? Apenas 6 anos? É... pode parecer muito, mas o tempo é relativo e este texto, por estar ainda muito presente em minha memória, merece um certo destaque. Confesso que não é nenhuma obra-prima (aliás, está longe disso), mas o escrevi em um momento de muitos conflitos e, por isso, o guardo com bastante estima:
Droga, cadê meu ônibus que não chega? E essas pessoas? Que ônibus estão esperando? O que estão pensando? E essas que trabalham vendendo confeitos, churrasquinho...? Suas famílias, crianças mal-vestidas que apanham tudo do chão: como andam? A aparente felicidade delas é real? Como sorriem, riem, gastam seu dinheiro, as pessoas no bar improvisado... dormindo, com seu chapéu que o protege do Sol escaldante de cada dia, está o vendedor de confeitos que traz de longe seu carrinho, mas basta tocá-lo que ele está acordado para atender-te, assim como minha pena prestes à poesia. Nossa, como me parecem estranhas as pessoas... Mas eu também sou um estranho... Tão estranho quanto aquele velho de capacete de operário cuja única construção é a imaginação? Sim... Talvez mais estranho... Carros passam apressados querendo chegar em casa ou se divertir na noite... Infelizmente não percebem as pessoas, seus espíritos, muitos deles que choram a injustiça da realidade. Gente, pra que tanta pressa? Para chegar em casa cedo, ver suas famílias e começar um novo dia depois de amar seus amados... Ou simplesmente porque não gostam de trânsito e dele querem fugir, mesmo que arrisquem suas vidas: a única pertencente a cada um e a outros que deles tanto gostam ou odeiam. Ônibus com observadoras cabeças param para que haja mais cabeças nas janelas. Ali, as pessoas observadas passam a observar. O movimento relativo cria relações observadores-observados. Um olho pisca para o outro e o outro pisca para ele. Começa uma relação repentina extinta pela partida. Finalmente meu ônibus chegou, deixarei de ser observado, passarei a observar, deixarei de ser anônimo, chegarei em casa...
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